| Divulgação - Ricardo Stuckert / PR |
Um acordo bilionário envolvendo o setor de minerais estratégicos colocou uma empresa norte-americana em posição privilegiada para explorar terras raras no Brasil. A companhia USA Rare Earth anunciou a compra da mineradora Serra Verde, localizada em Goiás, por cerca de US$ 2,8 bilhões, com aporte financeiro do governo Trump, em uma operação que combina pagamento em dinheiro e ações. A informação é do jornalista Jamil Chade, do ICL Notícias.
Segundo a empresa, a aquisição faz parte de um plano mais amplo de verticalização da produção, integrando etapas que vão da extração ao processamento e à fabricação de produtos derivados. Em comunicado, a CEO Barbara Humpton afirmou: “mais um passo em sua estratégia de criar uma operação que inclua mineração, processamento e fabricação de ímãs”. Ainda de acordo com a executiva, a jazida brasileira possui características únicas no cenário global. “A mina Pela Ema da Serra Verde é um ativo único e a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticos em escala”, disse.
A transação prevê um desembolso de US$ 300 milhões em dinheiro, além da emissão de 126,9 milhões de novas ações, com conclusão esperada para o terceiro trimestre de 2026.
Disputa geopolítica
O movimento ocorre em meio à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo controle de insumos considerados essenciais para tecnologias avançadas e aplicações militares. Nesse contexto, o governo de Donald Trump chegou a convidar o Brasil a integrar uma aliança voltada ao setor, mas o país optou por não aderir.
Como parte do acordo, a Serra Verde firmou ainda um contrato de longo prazo para destinar integralmente sua produção inicial a uma entidade financiada por capital público e privado dos Estados Unidos, por um período de 15 anos.
Aportes feitos pelo governo americano
A operação também está ligada a aportes feitos pelo governo americano. Em janeiro, a USA Rare Earth recebeu US$ 1,6 bilhão em investimentos federais, garantindo ao governo participação de 10% na companhia. Na ocasião, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, declarou que o objetivo é assegurar cadeias de suprimento mais independentes.
Apesar disso, o acordo passou a ser questionado por parlamentares democratas. Um dos pontos levantados envolve possíveis conflitos de interesse relacionados à atuação de Lutnick e à ligação com a empresa financeira Cantor Fitzgerald, envolvida na negociação. Em uma carta, a deputada Zoe Lofgren alertou:
“Este acordo cria um enorme conflito de interesses pessoal, concedendo ao Secretário de Comércio uma influência desproporcional sobre o comportamento de uma empresa privada, ao mesmo tempo que o coloca em posição de promover os interesses de seus filhos como condição para seu apoio”.
Por: Metro1