| Divulgação - TJPA |
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou que a magistratura caminha para um “regime de escravidão” diante das restrições recentes a benefícios pagos à categoria. Em março, ela recebeu R$ 91 mil líquidos. As informações são do Estadão.
A declaração foi feita durante sessão na Corte, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que extinguiu 15 benefícios, manteve oito verbas indenizatórias e determinou que esses valores não ultrapassem 35% do subsídio, limitado ao teto do funcionalismo, de R$ 46.366,19.
“Os juízes estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos, pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”, afirmou a magistrada. Em outro momento, disse que “daqui a pouco” juízes e desembargadores estarão “no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.
A desembargadora também criticou o uso do termo “penduricalhos”. “Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas como privilégios, como penduricalhos, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura, que hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não se vai ter, daqui a algum tempo, como pagar nossas contas”, declarou.
Segundo ela, a situação financeira já impacta a rotina de magistrados. “Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos, porque não vão poder pagar consulta”, disse. “Outros estão deixando de tomar remédios, entendeu? Então, a situação que a magistratura vive hoje é essa.”
Ao comentar o fim de benefícios, ela afirmou: “Nós não temos direito mais a auxílio-alimentação, nós não temos direito a receber uma gratificação por direção de fórum, vão ser cortadas, já cortaram”. Em seguida, reforçou: “Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão.”
A magistrada também defendeu a carga de trabalho da categoria. “Eu gostaria, sim, que uma parte da população viesse a viver o dia a dia do juiz e do desembargador, para verificar como é que a gente trabalha. Ninguém trabalha só aqui”, afirmou. “Até porque se nós trabalharmos só aqui, aí que a justiça não vai andar. Nós trabalhamos um número enorme de horas extras em casa, sacrificando o fim de semana, quando a gente está de plantão.”
Ela concluiu dizendo que os efeitos das mudanças serão sentidos pela população. “A população vai sentir quando ela procurar a justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou.”
Segundo dados citados na reportagem, a desembargadora acumulou R$ 216 mil em salários no primeiro trimestre. O espaço segue aberto para manifestação do tribunal e da magistrada
Por: Metro1