O crescimento substancial de mortes violentas por causa indeterminada desmonta a tese de que a Bahia ocupa o ranking dos estados mais sangrentos do país, de acordo com o novo Atlas da Violência, publicado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Mais que isso: reforça ainda as suspeitas de que existe subnotificação de homicídios para forçar uma queda artificial nos indíces.
Ainda de acordo com os dados do novo Atlas da Violência, dois casos chamam a atenção para a provável manipulação de dados. O primeiro tem relação com o Rio de Janeiro, onde é crescente a curva de mortes a esclarecer desde 2015. Hoje, esse tipo de óbito, no qual o médico-legista não é capaz de indicar a causa da morte apenas com o exame do corpo, supera o número de homicídios dolosos.
"Eu acho um mistério por que há tantos anos São Paulo tem esse número grande de mortes por causas indeterminadas. É o estado mais rico da federação. Não é questão de falta de técnicos habilitados (para investigar)", destacou o pesquisador do Ipea Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência, ao explicar à imprensa sobre a possibilidade de que os dados apresentados por grande parte dos estados contenham distorções capazes de mascarar a realidade.
A Bahia vai na contramão. Em 2014, as mortes a esclarecer somaram 1.662 casos. Em 2024, foram 898, queda de 46%. Desde que assumiu o cargo, em 2023, o secretário estadual de Segurança Pública, Marcelo Werner, vem sinalizando para prováveis distorções por parte de estados que camuflam ou subnotificam dados sobre violência, segundo ele, diferente do que faz a Bahia.
Outra forma apontada pelos pesquisadores da área para avaliar a transparência das estatísticas de violência é comparar a taxa de mortes a esclarecer com a de CVLI. Quanto maior for a relação, maior o risco de que homicídios estejam sendo classificados como óbitos sem causa determinada.
Na sequência, estão Mato Grosso do Sul (0.96), Rio Grande do Sul (0.95), Alagoas (0.90), Rio de Janeiro (0.87) e Acre (0.84), taxas consideradas elevadas pelo fórum de segurança pública. Em contrapartida, a Bahia apresenta uma das menores proporções do país, de apenas 0.25.
Por: Metro1