| Divulgação - Jocivaldo Nascimento/Agência Brasil |
A Prefeitura de Salvador decretou situação de emergência em São Tomé de Paripe após a identificação de contaminação por metais pesados na região. A medida reconhece a gravidade do problema ambiental e prevê mobilização de recursos para atender a população afetada, mas a definição sobre quem é o responsável pelos danos ainda permanece em aberto.
Publicado nesta terça-feira, o decreto municipal aponta que a área vem sendo impactada por substâncias químicas associadas a atividades desenvolvidas pelas empresas Gerdau e Intermarítima no Terminal Itapuã. Uma das companhias citadas no documento, a Intermarítima afirma que vem colaborando com as autoridades desde o início das investigações e sustenta que não há elementos que relacionem suas operações ao material encontrado na praia.
A Intermarítima ainda afirmou que não trabalha com "qualquer produto perigoso ou material de coloração azul ou verde, como o que apareceu no mês de fevereiro na areia da praia". A companhia também informou que seu sistema de drenagem direciona resíduos para uma estação própria de tratamento, sem descarte externo.
A empresa também chama atenção para a existência de passivos ambientais anteriores à sua operação no local. Segundo a Intermarítima, quando assumiu as atividades de transporte marítimo de granéis, exigiu da antiga proprietária da área, a Gerdau, a realização de reparações ambientais. A companhia afirma que, durante o processo de licenciamento ambiental, já havia sido reconhecida a presença de materiais contaminantes no solo da região.
O decreto municipal cita relatórios do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que identificaram concentrações elevadas de metais pesados, especialmente ferro, cobre e zinco, em organismos marinhos da região, com destaque para moluscos bivalves, a exemplo de ostras e chumbinhos
A decisão também leva em consideração recomendações do Ministério Público da Bahia (MP) para adoção de medidas de mitigação dos impactos sociais e ambientais causados à população do Subúrbio Ferroviário. Com validade de 90 dias, a situação de emergência abre caminho para a busca de apoio federal e captação de recursos destinados à recuperação da área afetada.
Por: Metro1