| Reuters/Folhapress |
Os protestos contra um resort de luxo ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganharam força na Albânia e se transformaram em uma das maiores mobilizações populares do país nos últimos anos. As manifestações, que já duram mais de 20 dias, começaram após o anúncio de um empreendimento turístico associado à empresária Ivanka Trump e ao empresário Jared Kushner, genro do presidente americano.
O projeto prevê a construção de um complexo de alto padrão na ilha de Sazan, no Mar Adriático, e em áreas costeiras próximas. Avaliado em cerca de US$ 4 bilhões, o empreendimento inclui hotéis de luxo, residências exclusivas, cassino e campo de golfe.
Críticas ao projeto
O movimento teve início com críticas aos possíveis impactos ambientais da obra. Ambientalistas e moradores afirmam que o resort ameaça ecossistemas sensíveis da região, incluindo áreas que servem de habitat para flamingos, tartarugas marinhas e outras espécies da fauna local.
Manifestantes passaram a ocupar as ruas da capital, Tirana, carregando cartazes com frases como “A Albânia não está à venda”. Em alguns atos, grupos chegaram a invadir canteiros de obras de outros empreendimentos de luxo e danificar equipamentos.
A preocupação também se estende a um segundo projeto turístico planejado para a mesma região, próximo a uma reserva natural. Organizações ambientais acusam o governo de flexibilizar exigências burocráticas para facilitar a execução das obras.
Revolução dos Flamingos
Com o crescimento dos protestos, o movimento passou a ser chamado de “Revolução dos Flamingos”, em referência às aves que vivem na área considerada ameaçada pelos empreendimentos.
O que começou como uma reação ao resort rapidamente ampliou sua pauta. Os manifestantes passaram a denunciar supostos casos de corrupção, falta de transparência nas decisões públicas e a concentração de poder político no país desde o fim do regime comunista, há mais de três décadas.
Governo rejeita críticas
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, tem defendido o projeto e afirma que o investimento pode impulsionar o turismo de alto padrão e fortalecer a economia nacional. Em entrevistas, ele negou que o empreendimento represente riscos significativos ao meio ambiente e rejeitou acusações de favorecimento à família Trump.
Apesar disso, entidades de preservação ambiental afirmam que as intervenções já provocaram danos considerados graves e irreversíveis em áreas naturais da região.
Repercussão internacional
A mobilização ganhou repercussão fora da Albânia e passou a ser acompanhada por instituições europeias. O debate ocorre em um momento em que o país busca avançar no processo de integração à União Europeia, o que aumentou a pressão para que autoridades demonstrem compromisso com normas ambientais e de transparência.
Enquanto o governo mantém apoio ao empreendimento, os protestos seguem mobilizando milhares de pessoas e ampliando o debate sobre os rumos do desenvolvimento turístico e econômico da Albânia.
Por: Metro1