| Agência Efe/Folhapress |
Milhares de pessoas voltaram às ruas de Tirana, capital da Albânia, na noite desta quarta-feira (10), em mais um capítulo da onda de protestos que tomou o país nos últimos dias. As manifestações chegaram ao décimo dia consecutivo e passaram a exigir a saída do primeiro-ministro Edi Rama.
Os participantes se concentraram na Praça Skënderbej antes de seguir em marcha até o Parlamento. Durante o ato, manifestantes entoaram palavras de ordem contra lideranças políticas do país, incluindo Rama e o ex-primeiro-ministro Sali Berisha, atual líder do Partido Democrata.
O movimento teve início após o anúncio de um projeto turístico previsto para áreas costeiras protegidas da Albânia, envolvendo investimentos ligados ao empresário Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com o passar dos dias, porém, os protestos ganharam novos contornos e passaram a incorporar críticas mais amplas ao sistema político e às políticas adotadas pelo governo.
Exigências dos manifestantes
Os organizadores afirmam que o movimento agora reúne uma série de reivindicações. Entre elas estão a renúncia do governo, a revogação de benefícios concedidos a investidores estratégicos, a retirada do chamado Pacote da Montanha, além da reversão de mudanças nas leis de áreas protegidas e de patrimônio cultural.
A mobilização nacional foi marcada para coincidir com o aniversário da fundação da Liga de Prizren, movimento histórico do século XIX considerado um símbolo da unidade nacional albanesa. Os organizadores também convocaram integrantes da diáspora albanesa a participar dos atos.
Projeto gera controvérsia
O empreendimento que desencadeou os protestos prevê duas frentes de desenvolvimento turístico de luxo: uma na região da Lagoa de Narta, área reconhecida pela importância ambiental, e outra na ilha desabitada de Sazan, que abrigou instalações militares durante o período comunista.
O governo defende que o investimento pode impulsionar a economia e consolidar a Albânia como destino de turismo de alto padrão, em um momento em que o país busca avançar no processo de adesão à União Europeia.
Pressão da União Europeia
A controvérsia também repercutiu em Bruxelas. Nesta semana, a Comissão Europeia pediu que as autoridades albanesas atuem rapidamente para evitar medidas que possam comprometer as negociações de adesão ao bloco.
Segundo o porta-voz Guillaume Mercier, o país precisa garantir o alinhamento de suas políticas às normas ambientais exigidas pela União Europeia, especialmente no âmbito do capítulo dedicado à proteção ambiental.
Enquanto o governo mantém a defesa do projeto, os organizadores afirmam que as manifestações continuarão nos próximos dias e que as reivindicações seguem inalteradas.
Por: Metro1