PF diz que esquema ligado a Daniel Vorcaro pagava até R$ 2 milhões a influenciadores para atacar o Banco Central

Redação / 93FM

Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) afirma que uma organização criminosa atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro pagava influenciadores digitais para atacar o Banco Central nas redes sociais. Segundo a investigação, as ofertas chegavam a R$ 2 milhões.

As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da Operação Compliance Zero. O magistrado determinou mandado de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado pela PF como principal articulador do esquema.

De acordo com a investigação, a operação de propaganda era chamada de "Projeto DV", em referência às iniciais de Daniel Vorcaro.

Segundo a PF, influenciadores e jornalistas eram procurados para firmar contratos de prestação de serviços. Antes de conhecerem o conteúdo do trabalho, precisavam assinar um acordo de confidencialidade com multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento.

Após a assinatura, os contratados eram orientados a produzir conteúdos favoráveis ao Banco Master e a questionar a atuação do Banco Central na condução do caso envolvendo a instituição financeira.

Em depoimento à PF, o vereador Rony Gabriel afirmou que recebeu uma proposta da empresa UNLTD para um trabalho de "gerenciamento de reputação". Depois de assinar o acordo de confidencialidade, foi informado de que deveria gravar vídeos afirmando que o Banco Master teria sido "vítima" do Banco Central.

A investigação aponta ainda que pessoas que recusavam participar do projeto passavam a ser alvo de intimidação. Segundo a PF, o grupo utilizava informações privadas obtidas de forma ilícita para constranger quem não aderisse à iniciativa.

Ainda conforme a decisão, os pagamentos aos influenciadores eram realizados por Thiago Miranda, que confirmou essa informação em depoimento. O publicitário afirmou que utilizava recursos provenientes da venda de uma participação no portal Léo Dias, cujos valores teriam sido repassados pela empresa Super Empreendimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro.

Para a PF, entretanto, os recursos tinham origem no esquema de fraudes financeiras investigado pela Operação Compliance Zero.

Em depoimento, Miranda afirmou que conheceu Vorcaro durante a negociação da venda de parte do portal Léo Dias e que, após a primeira soltura do banqueiro, apresentou um plano de reestruturação de imagem e gerenciamento de crise. Segundo ele, foi nesse contexto que surgiu o Projeto DV dentro de sua agência.

A PF também afirma que o grupo monitorava pessoas consideradas obstáculos aos interesses de Vorcaro. Entre os alvos estariam a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que os elementos reunidos na investigação não representam "meras conjecturas" e autorizou a apreensão de celulares, documentos e dados em nuvem de Thiago Miranda, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do publicitário.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou qualquer irregularidade e afirmou que o publicitário sempre atuou com "legalidade, transparência, respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão". Os advogados também sustentam que ele "não praticou qualquer ato criminoso" e defendem que a investigação respeite os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.


Por: Metro1

Tags